ESTRATEGIAS - artigo de opinião do Dr. José Manuel P. Lopes, publicado no jornal "Noticias de Ourém" de17 de Junho de 2011

As eleições nacionais ainda apelam a uma análise da estratégia utilizada pelos maiores
partidos e que obteve os resultados por todos conhecidos. Ambos os partidos utilizaram a
unidade como referência de forma a sensibilizar os eleitores. De um lado foi ver os adversários
de ontem a unirem-se à volta de Sócrates, com o Dr. Mário Soares à cabeça. Novos e mais
antigos a rumar no mesmo sentido. Claro que só a seguir à mesma forma utilizada pelo PSD.

Mas é sobre o vencedor que me pronuncio: sem dúvida que a sucessiva chegada à Campanha
Eleitoral de conhecidos barrosistas, dos adversários de ontem, de todos os elementos mais
notáveis e conhecidos do público foram decisivos. Foi obra dos estrategas conseguirem que
Morais Sarmento, Rui Rio, Manuela Ferreira Leite, António Capucho, Rui Rangel, Aguiar Branco
e todos os outros fossem discursar e dar todo o apoio à candidatura de Pedro Passos Coelho.

Mas mais importante é reconhecer a humildade e o amor ao partido, o sentido de
responsabilidade e o cumprimento do dever de militantes, de que todos eles, sem excepção,
deram prova. Do lado dos vencedores de ontem, no Congresso Partidário a humildade para
saberem que sozinhos não venceriam. Dos vencidos e descontentes, a mesma capacidade para
pôr de lado as diferenças e rumarem todos no mesmo sentido.

O resultado foi merecimento de todos e todos ganharam, defendendo os interesses do Povo
e fazendo com que os militantes e simpatizantes, que deram apoio a cada uma das facções
vissem o sinal e se unissem num esforço colectivo rumo à vitória eleitoral.

Toda esta conversa a propósito das próximas autárquicas locais. Faltam dois anos, eu sei…Mas
as movimentações dentro dos Partidos já começaram. Como todos sabem, nos partidos, em
todos, há várias sensibilidades, vários grupos e diversos interesses, amplamente justificados
desde que se tenha sempre em vista o interesse do Povo e do concelho, em primeiro lugar.

Há pouco tempo estive num encontro cujo tema era a análise da actuação do actual executivo
municipal: o que se ouviu foi espantoso! Tanto erro e tão pouco trabalho positivo, que até
espanta como o PS só perdeu dez mil votos. Pelo que ouvi era para não ter nenhum voto. No
entanto foi também visível a dificuldade em acertar uma estratégia de oposição concertada.

Parece que a nível local não se aprendeu nada com o exemplo nacional. As posições que
levaram à perda das eleições autárquicas parecem cristalizadas, como se vê pela actuação
na Assembleia Municipal. A dificuldade de articulação de posições entre todos os eleitos
pelo Partido tem de ser rapidamente ultrapassadas. Os sinais dos responsáveis para os
simpatizantes em geral tem de ser de unidade.

Um Partido que nas legislativas antes das autárquicas e a seguir às mesmas, tem no concelho
as maiorias que teve e que perde as autárquicas, tem de pensar, tem de reunir em várias
frentes, tem de analisar. Tem de encontrar as causas da derrota: algumas são evidentes
para todos; outros são mais difíceis e profundas, têm a ver com programas com ideias, com
implantação de gerações, com modernidade, com alterações do sentir da sociedade.

Mas os responsáveis do partido, localmente, têm de reconhecer muita coisa, dinamizar os
militantes e sobretudo os simpatizantes, têm de arranjar estratégias de unidade, sob pena de
quem não perceber isto ter de ficar com o ónus da divisão e da derrota. Não há pessoas acima
do Partido e muito menos do concelho. Vamos ganhar juízo primeiro e as eleições depois.

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