A cidade e as Festas...
Foi o Feriado do Município. Houve festa. Gostei da ideia de honrar o passado. Fica bem e não
custa nada. Por motivos profissionais não pude participar em tudo o que gostava... Mas o que
vi agradou-me. Falta Povo nas iniciativas oficiais, mas foi sempre a grande dificuldade...
Nas minhas diversificadas passeatas pelo concelho várias coisas observei. A iniciativa dos
oureenses mantém-se viva, apesar da crise e da dificuldade de apoio oficial. Uma inauguração
de uma Capela construída exclusivamente por um particular, na Cacinheira; A recuperação de
uma pequena capela na Calçada, sem apoios oficiais notáveis. Algures em Rio de Couros, um
Presidente da Junta em cima de uma máquina a fazer uma zona de lazer da sua freguesia. De
Seiça para o Agroal não é para todos, mas vale a pena para ver muito Povo no Café.
Por todo o concelho montes de pessoas empenhadas no bem comum. Numa volta por todas
as freguesias e contactos com elementos de todas as Juntas sempre uma grande esperança e
empenho no futuro.
Em todo o lado queixas: falta de apoio, falta de resposta de entidades para quem se enviam
dezassete ofícios sem resposta, falta de dinheiro para executar a obra prometida, queixas
de não conseguirem falar com ALGUÉM... Nas iniciativas locais não se encontram muitos
representantes do poder instalado; devem aparecer lá mais para a frente, mais perto da
eleições! É o que houve em todo o lado. Cuidem-se; quem vos avisa...
Também se fala muito de promessas por cumprir. As queixas do cobrador do fraque começam
a ser faladas, sem receios de serem ouvidas. As criticas sobem de tom e contam-se histórias de
um ordenado e subsídio de férias depositados numa conta penhorados por dívidas anteriores.
Também em locais onde se fala e se executa a JUSTIÇA o falatório vai avançado...
Mas o que importa são as coisas positivas. Em Espite toda a Junta e demais elementos a
montarem o arraial. O POVO de Espite merece uma palavra de estímulo e louvor. Oitocentos
anos são muito tempo e merecem a distinção do Município que acatou por unanimidade
a sugestão. Os membros da freguesia tudo têm feito para comemorar a efeméride. O
entusiasmo que vi no trabalho fez-me lembrar tempos de juventude e Abril.
Vou contar uma história que ouvi, nem percebi bem tudo, mas que tem relação com um
protocolo celebrado entre a Câmara e uma Associação, que contraiu um empréstimo para
pagar com o dinheiro prometido pela Câmara. Pelos vistos esta não cumpriu tudo, nos prazos
acertados e a responsabilidade pela dívida é da Associação, não é da Câmara.
Lembrei-me disto quando se ouvem notícias de protocolos por todo o lado com certas Juntas
para apoio social, sobretudo aos menos jovens. Tanto milhão...O Sócrates ainda só saiu há um
mês e deixou escola. Também era bom comunicador e de promessa fácil. Vamos lá a ver.
Estas voltas pelo concelho agastam muita gente. Mas enquanto não se pagar portagem
nos caminhos vicinais vou andando. Trinta anos de ligação a pessoas de todo o concelho
ensinaram-me todos os caminhos, carreiros, cafés, tascas e adegas e não me perco com
facilidade. Até muita serventias e marcos eu conheço. Se calhar muitos pretendentes a lugares
concelhios deviam fazer o mesmo, mas sem gravata.


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