ACTUALIDADES
Orçamento de Estado: merecemos melhor...
O Orçamento de Estado que está em cima da mesa tem vindo a ser negociado em reuniões entre o Governo e PSD, na tentativa de que o principal partido da oposição tivesse a responsabilidade patriótica de levar estas negociações a bom termo. À hora em que escrevo este texto, romperam as negociações para que isso acontecesse.Engraçado que se peça à oposição que tenha a responsabilidade de fazer pelo país aquilo
que a irresponsabilidade de quem manda (socialistas) não soube fazer.
Ainda não sabemos o que correu mal na execução orçamental para que as medidas de Maio, que na altura eram as necessárias e suficientes, afinal agora não cheguem e seja apresentado este orçamento das sopas.
O Governo apresentou um orçamento num cenário macroeconómico irrealista, dito por inúmeros especialistas de vários quadrantes políticos, que assenta no aumento da receita a qualquer custo, neste caso à custa das famílias e das empresas, sem que o Estado tenha feito um mínimo esforço para diminuir as suas gorduras (leia-se por exemplo o TGV, as Parcerias Público-Privadas, e os milhões e milhões de desperdícios em duvidosas opções de gestão pública).
Para o governo parece que apenas existe o dia de hoje e continua-se a pensar como se não houvesse nada para além do amanhã. Navega-se à vista, à deriva, avulso e dependente de marés, ventos ou tempestades que venham não sei de onde, vitimizando-se pelo naufrágio e pedindo salvação aos outros, esses mesmos que acusa de culpa. Não pode ser.
Patriótico foi ter feito o esforço necessário e possível de tentativa de que um orçamento mau fosse um bocadinho melhor. Infelizmente a chicana e o lodaçal, a arena preferida de alguns, prevaleceu sobre a responsabilidade de quem quis, e quer, ajudar a iluminar o fundo do túnel.
É preciso fazer esforços, fazer cedências e a negociação é isso mesmo, mas acima de tudo tem que haver bom senso nas decisões, com ponderação mas sem cedência a qualquer tipo de chantagens. E muito menos vindas de quem nos trouxe impunemente até à situação em que nos encontramos, a todos os títulos deplorável, que não só podia como devia ter sido evitada atempadamente.
O PSD tem vindo a chamar a atenção sobre isso, a avisar, a falar verdade, a apontar caminhos de futuro. Caminhos que a seu tempo serão liderados, assim esperamos, por gente bem diferente, na atitude, na confiança e na ambição que merecemos para Portugal.
(Ouço o Ministro das Finanças em directo na conferencia de imprensa que está a dar sobre o tema, e fico com a sensação que o governo nunca falhou as previsões do OE 2010 e dos PEC´s e que a situação de pré-falência se deve apenas à não aprovação da proposta do governo. É preciso ter lata.)
Os meus pais viveram melhor que os meus avós. Eu tenho vivido melhor que os meus pais, mas não tenho a certeza que os meus filhos e a sua geração tenha uma vida em Portugal melhor daqui para a frente. Aliás, nem é preciso esperar por essa geração, vejam-se os milhares de jovens que neste momento não conseguem arranjar um primeiro emprego, para triste início de vida.
Este desejável ciclo da vida está neste momento posto em causa, resta-nos por isso fazer o que ainda não foi feito. Ter a coragem de ser patriótico ao ponto de romper estas negociações e perguntar a quem de direito: E agora José?
Carina João




